Rolamentos de rolos de laminação trabalham sob condições que poucos componentes suportam: cargas radiais acima de 2000 kN, temperaturas de operação entre 150°C e 300°C, presença de água de resfriamento e contaminação por carepa metálica. A combinação desses fatores reduz drasticamente a vida útil projetada, especialmente em rolos de trabalho onde o contato direto com o produto laminado gera pulsos de carga e gradientes térmicos severos.
Paradas não programadas em trens de laminação geram perdas que vão além da simples troca do rolamento. Uma linha parada significa perda de produção, risco de dano aos cilindros e comprometimento da qualidade dimensional do produto. Portanto, entender os mecanismos de falha e implementar estratégias de lubrificação adequadas é fundamental para manter a disponibilidade operacional.
O Problema: Combinação de Cargas e Ambiente Hostil

Rolamentos em rolos de laminação operam sob cargas combinadas: radial elevada durante a passagem do material, axial gerada por desalinhamento ou pressão lateral, e momentos fletores quando há distribuição não uniforme de carga ao longo do comprimento do rolo. Além disso, as temperaturas de trabalho e o contato com água de resfriamento criam condições extremas para qualquer lubrificante.
A falha típica ocorre por fadiga de contato acelerada, causada pela perda de filme lubrificante sob alta temperatura. Quando o óleo ou graxa degrada, o contato metal-metal gera microssoldagem e destacamento de material na pista de rolamento. Em aplicações com rolamentos de rolos cilíndricos ou de rolos cônicos, a presença de carepa metálica agrava o processo, criando indentações que funcionam como concentradores de tensão.
Causas e Diagnóstico

Degradação Térmica do Lubrificante
Temperaturas acima de 150°C aceleram a oxidação do óleo base. A viscosidade cai, o filme lubrificante perde capacidade de suportar carga e aditivos como extrema pressão se decompõem. Além disso, a presença de água emulsifica o lubrificante, comprometendo ainda mais sua eficácia.
O sintoma mais claro é o escurecimento prematuro do lubrificante e aumento da temperatura na carcaça do rolamento. Em campo, a análise de óleo por espectroscopia revela aumento de partículas metálicas ferrosas e presença de compostos de oxidação. Portanto, o monitoramento periódico da condição do lubrificante é essencial para identificar o início do processo de degradação.
Contaminação por Carepa e Água
Carepa metálica gerada durante o processo de laminação penetra nas vedações e contamina a região de rolamento. Partículas duras criam indentações nas pistas, que se tornam pontos de nucleação de trincas por fadiga. A água de resfriamento, quando infiltra, reduz a viscosidade efetiva do lubrificante e promove corrosão por fretting nas áreas de contato.
O diagnóstico passa pela inspeção visual das vedações e análise de vibração. Picos de alta frequência indicam passagem de partículas sólidas pela zona de carga. Em análises mais detalhadas, a presença de óxidos de ferro no lubrificante confirma a contaminação por carepa.
Desalinhamento e Cargas Axiais Excessivas
Desalinhamento entre rolos ou montagem incorreta gera componentes axiais de carga não previstas no projeto original. Rolamentos de rolos cilíndricos têm baixa capacidade de absorver cargas axiais, enquanto rolamentos de rolos cônicos suportam melhor essa condição desde que especificados corretamente.
O sintoma é desgaste preferencial em uma das bordas da pista ou flanges. Medições de temperatura diferencial ao longo do comprimento do rolamento e análise de padrão de desgaste confirmam o problema. Assim, a verificação de alinhamento deve ser feita sempre que houver troca de cilindros ou manutenção preventiva.
Soluções Técnicas

Especificação de Rolamentos para Alta Temperatura
A SKF oferece a linha de rolamentos Explorer com tratamento térmico diferenciado e geometria interna otimizada para cargas elevadas. Para aplicações em laminação, os rolamentos de rolos cilíndricos de alta capacidade com carga radial acima de 1800 kN e estabilização dimensional até 300°C são especificados. Já para situações com cargas combinadas, rolamentos de rolos cônicos em arranjo duplo oferecem melhor desempenho.
Além disso, a escolha do material da gaiola é crítica. Gaiolas de latão estampado apresentam limite de temperatura inferior a 200°C, enquanto gaiolas usinadas em bronze ou aço especial suportam até 300°C. Em aplicações com alta velocidade periférica, gaiolas de poliamida reforçada com fibra de vidro podem ser alternativa, desde que a temperatura não ultrapasse 120°C.
Sistemas de Lubrificação Centralizados com Óleo
Sistemas de lubrificação óleo-névoa ou circulação forçada com resfriadores permitem controlar a temperatura do rolamento e garantir fornecimento contínuo de lubrificante limpo. O sistema SKF MonoFlex, por exemplo, permite dosagem precisa e monitoramento de fluxo, alertando quando há obstrução ou perda de linha.
A escolha do óleo deve considerar a viscosidade ISO VG 320 ou superior para cargas elevadas, com aditivos antioxidantes e extrema pressão. Óleos sintéticos à base de PAO ou ésteres oferecem maior estabilidade térmica e mantêm a viscosidade em temperaturas acima de 200°C. Como resultado, a vida útil do rolamento aumenta significativamente comparado à lubrificação por graxa.
Vedações e Proteção Contra Contaminantes
Vedações labírinto com purga constante de ar ou óleo impedem a entrada de carepa e água. A SKF oferece vedações tipo V-ring e cassetes de vedação integrados que criam múltiplas barreiras. Para aplicações com jatos d’água diretos, sistemas de vedação com cortina de ar ou graxa barreira são necessários.
Além disso, a instalação de filtros magnéticos na linha de retorno do sistema de lubrificação captura partículas ferrosas antes que retornem ao circuito. Dessa forma, a contaminação progressiva do óleo é reduzida e a limpeza do sistema se torna menos frequente.
Conclusão

Rolamentos de laminação falham porque operam no limite das condições de projeto. Cargas elevadas, temperaturas extremas e contaminação agressiva exigem especificação técnica precisa e sistemas de lubrificação robustos. A solução não está apenas em trocar o componente por outro de mesma referência, mas em entender os mecanismos de falha e projetar o sistema como um todo.
A escolha do tipo de rolamento, material da gaiola, método de lubrificação e sistema de vedação deve considerar as condições reais de operação. Além disso, o monitoramento contínuo por análise de vibração e óleo permite identificar desvios antes que a falha catastrófica ocorra. Dessa forma, a disponibilidade do trem de laminação aumenta e os custos de manutenção não planejada diminuem.
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